14 de jun de 2011

Desenvolver jogos já é negócio no Brasil

Há 55 empresas desenvolvendo jogos no Brasil, a maioria focada no mercado de entretenimento. Mas há espaço também para os advergames (propaganda) e os que simulam negócios para aprendizado.



A Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos) divulgou os resultados da pesquisa intitulada “A indústria de desenvolvimento de jogos eletrônicos no Brasil”, realizada com objetivo de mostrar a situação atual das empresas e levantar dados para atrair potenciais investidores do setor público e privado, do país e exterior.
A história da indústria de games brasileira é mais antiga do que se imagina. Desde os anos 80 há uma tentativa de penetração neste mercado. As primeiras empresas foram fundadas em 1992; em 1997 o movimento aumentou fortemente e em 1999 o Brasil teve recorde de fundação de empresas (21% do total).
Hoje há registro de 55 desenvolvedoras em atividade. O Paraná abriga a maioria, 33% das empresas do setor. São Paulo está em segundo lugar com 30% e Rio de Janeiro em terceiro com 12%.
De acordo com Marcelo Carvalho, presidente da Abragames e sócio–diretor da Devworks Game Technology, a concentração de empresas no Paraná deve–se a criação da Gamenet - PR, rede de empresas local e ao investimento do governo do Estado: “já nos outros estados as empresas surgiram através de iniciativas isoladas ou em incubadoras de empresas”.
O número médio de funcionários nas empresas de jogos é de aproximadamente 15 pessoas, sendo que as desenvolvedoras do país apresentam uma proporção de programadores e artistas (ilustradores e modeladores 3D), diferente de mercados consolidados como Inglaterra e Estados Unidos, onde normalmente existem dois artistas para cada programador. Os motivos podem estar relacionados à existência de muitos cursos de graduação em Ciência da Computação que estimulam o desenvolvimento de jogos, no entender da Abragames.
O mercado de jogos no Brasil está dividido em nichos. A maioria das empresas foca o segmento tradicional de entretenimento (72%), porém nota–se o crescimento do interesse pelos advergames (jogos com vocação publicitária) e o início da produção de business games (simulação de negócios cuja finalidade é o aprendizado) e middlewares (ferramenta necessária para o processo de desenvolvimento e manutenção de jogos).
Segundo Jairo Margatho, gerente de marketing da desenvolvedora Délirus Entertainment, as agências de publicidade já reconhecem no advergame uma mídia interativa que tem um público potencial que passa pelo menos quatro horas no computador. “O mercado brasileiro tem potencial para investir neste ramo e também no business game, este que já é utilizado como forma inovadora de treinamento para empresários que aprendem se divertindo”, completa Margatho.
A promessa dos smartphones. Neste contexto, a maioria das empresas também foca o mercado de PC (63%) e os celulares (22%). De acordo com Tarqüinio Teles, presidente e diretor de marketing da desenvolvedora Hoplon Infotainment, o conhecimento dos programadores, adquirido nas universidades, ainda é voltado para o PC.
Segundo Rafael Nanya, responsável pelo desenvolvimento de aplicações móveis da Délirus, o crescente investimento na produção de jogos para celular deve–se, principalmente, à inibição da pirataria proporcionada pela tecnologia Brew. “Além disso, a tendência é que daqui a três ou quatro anos os smartphones sejam popularizados; assim cada pessoa terá o seu computador pessoal na palma da mão, que será utilizado também como um dispositivo para os aplicativos, inclusive jogos”, afirma Nanya.
A dificuldade em obter as licenças dos kits de desenvolvimento para os grandes consoles ainda é grande, o que impede a penetração das desenvolvedoras brasileiras neste ramo. Sem distribuição oficial também não existe suporte, nem incentivo. Um dos empecilhos para que esse cenário mude é a pirataria no país que, segundo estudo do IDG Consulting, realizado em 2004, é de 94% e causa o prejuízo de aproximadamente U$ 210 milhões.
Mesmo com índices de pirataria tão elevados, o mercado mostra potencial. De 2003 para 2004 o crescimento do faturamento das empresas chegou a quase 40%. As desenvolvedoras brasileiras faturam aproximadamente R$ 18 milhões e se incluímos distribuição, embalagem, marketing e publicidade, a estimativa gira em torno de R$ 100 milhões.
De acordo com a pesquisa, o faturamento por estado é equilibrado. Muitas empresas aumentaram o faturamento para a faixa entre R$ 960 mil e aproximadamente R$ 2 milhões e continuam surgindo empresas menores com faturamento de até R$ 240 mil. De acordo com Carvalho, esta pesquisa mostra o potencial de crescimento do mercado de jogos no país.
Fonte: webinsider